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Dez 22

Zeca Troufa Real

Falar de JOSÉ DEODORO TROUFA REAL, é lisonjeador pelo facto de se tratar de uma figura pela qual nutro uma enorme admiração.

Mano Zeca, como me habituei a chamá-lo, é hoje a maior expressão da arquitectura produzida pela Nação Angolana. Homem de cultura e de arte, produtor incansável de arquitecturas onde a sua condição mestiça se afirma de forma harmoniosa no cruzar das formas, que só os encontros e desencontros do Atlântico propiciam ao mundo.

Como homem, TROUFA REAL continua a ser um incansável combatente pela conquista da verdade, uma verdade que se inicia na defesa da luta pela Independência Nacional e  forjada na troca ideológica com figuras como AGOSTINHO NETO, MENDES DE CARVALHO, PAULO TEIXEIRA JORGE e muitos outros, o que faz dele um militante de referência incontornável do panorama político Angolano. A arte ganha neste filho das Ingombotas, município dos azuis, berço da intelectualidade luandense, dos namoros de VIRIATO CRUZ e dos doces da Avô XICA CAIÓIÓ, uma expressão nova, onde a importância da identidade cultural se afirma de maneira verdadeiramente fantástica, se nos ativermos no facto deste homem ter deixado a sua cidade há um quarto de século .

TROUFA REAL, com um atelier de arquitectura em Lisboa, fez do espaço de trabalho um local de honra e de dignificação da Nação Angolana e de todos nós angolanos, onde cada um de nós e eu em particular tive o privilégio de ter aprendido o exercício da arquitectura, revendo-me em cada traço, na noção e organização do espaço, no traçado dos musseques cujo pensamento e filosofia de desenvolvimento aprendi, para produzir um novo pensamento sobre a cidade que nos viu nascer, Luanda. O trabalho de TROUFA REAL é, na minha opinião, um momento que se fixa na história da nossa arquitectura e que tem como ponto de partida as primeiras abordagens sobre a arquitectura produzida pelos Portugueses no nosso País. Começavam a ser dados os primeiros passos para a percepção de uma outra linguagem possível da arquitectura, ou seja, aquela em que os valores do tempo e da cultura se afirmam como factores fundamentais para o entendimento do que deveria ser uma arquitectura sustentável para Angola.Contribuiu de forma determinante a sua condição de artista plástico, mas também a sua consciência de cidadão, que o levou ao caminho da procura de soluções de desenho, forma e construção, que levaram à produção de uma habitação de matriz nacional, onde os Angolanos se revissem e a Nação se encontrasse.

Por temperamento, convicção e carácter, obrigou-se à disciplina da independência que quis por opção praticar. É, na minha opinião, um cidadão de eleição em relação ao qual faço questão de afirmar o meu mais profundo sentimento de orgulho e de gratidão por toda solidariedade demonstrada.

Em meu nome pessoal e por tudo o que sei que ainda tens para dar à Nação de todos nós, um grande bem haja para ti, Mano Zeca!

 

André Mingas
Arquitecto