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Abr 03

Curiosidade inesgotável

Entre 1961 e 1964, como encarregado de regências e trabalhos práticos de Geografia Física e Geografia Humana do Curso de Arquitectura, então na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tive a sorte de conhecer alunos ávidos de aprender o que a Geografia, como ciência de síntese, lhes podia transmitir para a sua formação como arquitectos.
Alguns destacaram-se mais do que outros e dos primeiros recordo José Deodoro Faria Troufa Real, um dos mais interessados, de dinamismo contagiante e curiosidade inesgotável, sempre pronto a levantar questões pertinentes sobre as relações entre a arquitectura, a geografia e domínios afins, particularmente em regiões tropicais. Tive o gosto de lhe atribuir classificações elevadas, porque as merecia.
As saudades de Angola e de Luanda, onde mergulham as nossas raízes, também contribuíram para reforçar os laços de amizade que, ultrapassando os muros académicos, se alongaram por cerca de quarenta anos de vida marcados por respeito mútuo. Tenho acompanhado a sua carreira brilhante, desde situações em cargos de responsabilidade em serviços de urbanismo da Câmara Municipal de Luanda ao seu projecto de reordenamento do Bairro do Golf, num dos musseques da nossa cidade, desde Assistente passando progressivamente a Professor Catedrático da sua Escola às intervenções arrojadas na cidade de Lisboa. Em tudo tem demonstrado alto nível.
Com estas palavras simples e verdadeiras quero contribuir para a homenagem que se presta ao Amigo e conterrâneo Troufa Real.

 

Ilídio Amaral
Geógrafo. Professor Catedrático Jubilado da Universidade de Lisboa
Director do Centro de Geografia do Instituto de Investigação Científica Tropical
Membro da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História