

Autor: Leonel Moura, Artsita Plástico e Coordenador Artístico da Fundação Troufa Real-Ukuma
Completam-se hoje, dia 8 de Julho, 62 anos que nascia em Libolo – Calulo, Kuanza–Sul, Francisco Higino Lopes Carneiro, Mestre em Ciências Militares graduado pela Academia Frunze, Rússia, e General das Forças Armadas Angolanas.
A amizade que nos liga e os laços profissionais que nos unem obriga-me a assinalar esta data reconhecendo as suas qualidades e idiossincrasias, que nunca será demais realçar.
E não é apenas devido a ter-lhe feito os projetos para duas das suas casas, uma no Huambo e outra em Talatona, nas quais me deu carta-branca para me espraiar criativamente, mas sobretudo pelos projetos de que me encarregou para ajudar o desenvolvimento de Angola, nomeadamente o Campus da Universidade Cabinda, no Caio, que nos entusiasmou sobremaneira, mas por todas as suas qualidades inegáveis de trabalho, que implementa de uma maneira inesquecível.
Profundo conhecedor dos problemas atuais da capital angolana, pois, além de ter já estado à frente dos seus destinos, tomou contato com as suas realidades como presidente da Comissão de Gestão de Luanda, em 2004, mesmo os seus detratores reconhecem que, além de astuto, o general Higino Carneiro, como é mais conhecido, é bastante aberto. «Sabe difundir autoridade e promover uma autoimagem benigna, (…). Há já até quem acredite que ele vai resolver o problema do lixo, sob o qual se afunda a periferia de Luanda».
Na verdade, mesmo os seus inimigos são unânimes em falar das suas reais capacidades e do seu grande espírito de trabalho, pelo que vale a pena uma breve resenha sobre as suas obras enquanto governador.
Antigo membro do Gabinete Local Nacional e presidente das Comissões Parlamentares 9ª Comissão: Direitos Humanos, Petições, Reclamações e Sugestões dos Cidadãos, exerceu os cargos de Vice – Ministro sem Pastas e Vice – Ministro da Administração do Território, Governador da Província do Kuanza-Sul, Governador da Província do Cuando-Cubango, tendo ainda sido Ministro das Obras Públicas e atualmente ocupa pela segunda vez a pasta de Governador da Província de Luanda.
No Kwanza-Sul (1999-2002), para além de ter sido aplaudido por introduzir o ensino superior na província, mereceu louvores por ter inaugurado o Festival do Sumbe (FestiSumbe) em 2001, pela criação da Feira Agropecuária, a reabilitação da Marginal e o Jardim das Misses. No entanto, conta-se como a sua maior realização o estabelecimento da sua própria fazenda, em Calulo, onde desenvolveu uma produção de uvas de mesa e de vinho, cuja marca Feito em Angola já foi apresentada com sucesso em Portugal, assim como foi ali que fez regressar à Chichila, o cultivo de café, que estava esquecido.
Já no Cuando-Cubango (2012-Jan. 2016), o seu mais recente cargo, o governador deu maior visibilidade pública às terras do fim do mundo, como é conhecida a província.
Nos seus anos de gestão, são-lhe creditadas, como obras de vulto, a reabilitação das duas pontes que interligam a cidade, e a construção de uma ponte de ligação entre a província e a Namíbia, pelo Calai. Recebeu boa nota por ter providenciado habitação e viaturas a alguns funcionários relevantes da província, como parte da sua política de valorização de quadros. Foi durante a sua gestão que se estabeleceu a abertura da Universidade do Cuíto-Cuanavale, assim como a construção da central térmica do município com o mesmo nome.
Emanando uma imagem de um militar implacável, que não se amedronta, e que quando avança para o terreno é para concretizar as suas intenções, pois «além da competência, é um homem de campo, que gosta de ver as coisas realizadas e em ordem. Conquista popularidade naturalmente e não é arrogante. É frontal e visionário. É dos poucos dirigentes angolanos que não mendiga cargos», frisam os elementos do seu círculo.
Tem a fama, justa, de ser muito dinâmico (chamam-lhe Buldozer), tanto no exercício do actual cargo governativo (ministro das Obras Públicas), como em todos os outros cargos públicos, anteriores. Conhecido pela sua exigência pela qualidade e perfeição, e essencialmente sempre solidário, foi com quem mais gostei de trabalhar pelo respeito que sempre teve pelos seus colaboradores e pela exigência no cumprimento das missões. De uma grande lealdade e dedicação para com as pessoas, é fundamentalmente um fazedor de obras .inesquecível.
O volume de obras públicas aumentou vertiginosamente nos últimos anos; mas a sua pressão direta, sob a forma de visitas surpresa, nunca deixou de ser necessária para garantir prazos, níveis de qualidade, etc – o que o obrigou a redobrar o seu dinamismo.
Ao mesmo tempo, aconteceu que a carteira dos seus negócios privados, envolvendo parceiros nacionais, portugueses, brasileiros e outros, nunca deixou de aumentar – exigindo também dele tempo de que não dispõe – a não ser, como diz, que os dias tivessem 40 horas. É a mulher, a grande mulher Ana, e uma filha, formada em Economia, que lhe servem de “muleta”. Tem ainda outra filha médica e vários netos.
Homem de Família e de Amizade, diplomata e poliglota, sereno nos discursos, que normalmente faz de improviso, caracteriza-se também pela facilidade de comunicar em várias línguas.
De referir ainda a sua veia musical, onde é de realce a sua paixão pelas cancões do Velho Liceu, e pela música Latino Americana, especialmente Brasileira e Cubana, além do Fado, gostando também de tocar e cantar, reunindo muitas vezes amigos e grandes artistas musicais em tertúlias em que o objetivo essencial é o o convívio e a amizade.
No estrangeiro, é em Portugal que tem mais negócios, incluindo, pelo simbolismo, um antigo restaurante na zona pombalina de Lisboa. É muito popular pelo atributo de dinamismo que lhe é geralmente reconhecido, mas também pela sua simplicidade e inclinação considerada inata para a filantropia. O apego que revela pela sua terra natal, Calulo, também entra a seu crédito. O renascimento da aprazível vila é em grande parte devido à sua boa vontade; até lhe coube pôr de pé o antigo clube da terra, o Recreativo do Libolo, atualmente em fase de ascensão no panorama desportivo do país. Também ajuda os naturais do Calulo radicados em Portugal a organizar as suas confraternizações anuais, às quais comparece ou manda representante. É também muito estimado pelos cubanos com quem esteve solidário.
Por tudo isto a Fundação UKUMA Troufa Real apresenta-lhe os mais sinceros Parabéns pelo seu aniversário, para bem da família e de Angola, com votos de muitas felicidades, não podendo deixar de o recordar pela fraterna amizade e muita estima que tem por mim e pelos mais velhos.