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Jul 17

Mbanza Congo já Património Mundial da Humanidade

O centro histórico da cidade de Mbanza Congo, no norte de Angola, foi declarado, por unanimidade, como Património Mundial da Humanidade, na última reunião da Comissão de Património Mundial da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que teve lugar em Cracóvia, Polónia, no passado dia 8.
O projeto “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”, que tinha como principal propósito a inscrição desta capital do antigo Reino do Congo, fundado no século XIII, na lista do património da UNESCO, foi oficialmente lançado em 2007, com o incentivo do Presidente da República, Eng. José Eduardo dos Santos, e o estímulo da Ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, assim como do embaixador de Angola junto da UNESCO, Diekumpuna Sita José, cujos esforços culminaram com esta decisão, tornando o primeiro local angolano a obter tão honroso estatuto. Refira-se a propósito o importante apoio do representante da UNESCO em Luanda, Edmund Moukala, no sentido de ajudar o Ministério da Cultura de Angola a inscrever o antigo Reino do Kongo na lista do Património Mundial, tendo em conta o seu valor histórico-cultural, e salientando que a concretização desta intenção não só interessa a Angola, mas também aos países que fazem parte da mesma região, nomeadamente o Congo, o Congo Democrático e o Gabão.
O centro histórico de Mbanza Congo, na província do Zaire, no norte de Angola, está classificado como património cultural nacional desde 10 de junho de 2013, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial.
A candidatura de Angola destacava que o Reino do Congo estava perfeitamente organizado aquando da chegada dos portugueses, no século XV, com um sistema que era dos mais avançados em África, à data.
A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude e que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços, entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.
Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado ‘Tadi dia Bukukua’, supostamente o antigo palácio real. Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo.
Dividido em seis províncias que ocupavam parte das atuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.
Mbanza Congo foi, no século XVII, a maior cidade da Costa Ocidental da África Central, com uma população de 44 mil habitantes. Entre os monumentos e sítios históricos destacam-se Culumbimbi, conhecido como a primeira Igreja construída na África Subsariana – em 1491 – e a árvore secular identificada por Yala-nkuwu e envolta no mito de ser uma árvore de que brota sangue, devido à coloração da sua seiva.
Com o seu declínio, a cidade que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro”, transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo.
Entre os argumentos esgrimidos para fundamentar a candidatura, foi realçado que, em matéria de património imaterial, a influência da cultura do antigo Reino do Kongo atravessou fronteiras com o tráfico negreiro para às Américas e Europa.

Foi destacada, por outro lado, a vocação diplomática dos antigos soberanos do Kongo, a sua estrutura organizacional e o seu génio criador, e o facto de que ali já se fabricavam instrumentos de trabalho, para a caça e autodefesa, assim como já havia uma moeda padrão, o Nzimbu, que facilitava as trocas comerciais.
Além do mais, a atual capital da província nortenha angolana do Zaire, Mbanza Kongo, foi centro político, económico, social e cultural, sede do rei e centro das decisões dos povos da região da África Central (Angola, RD Congo, Congo-Brazzaville e Gabão) que formavam o reino do Kongo.
Desde a fundação do reino do Kongo, no século XIII, Mbanza Kongo conheceu, na época colonial, várias designações, partindo da de São Salvador do Congo, atribuída pelos Portugueses enquanto potência colonizadora.
Outra designação foi a de Kongo dya Ntotela, símbolo de unidade e indivisibilidade dos povos bakongo. Não esquecer, como realçou recentemente o professor Patrício Batsikhama, que Kongo quer dizer união de povos, o que diz bem do nível civilizacional atingido já naquela época.
Dividido em seis províncias que ocupavam parte das atuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

Rodrigues Vaz
Jornalista