
estende teus dedos anulados sobre a minha carapinha,
derrama a tua inconsciente tranquilidade sobre a minha angustia
submergida,
Vem cacimbo,
Eu quero ver os cafeeiros ao peso dos bagos vermelhos
Endireita os troncos vencidos dos bambus
Coroa os cumes altos das serras do Bailundo
Limpa a visão empoeirada dos comboios que descem para Benguela,
Nimba poeticamente os horizontes dos caminhantes de Angola
Vem cacimbo
Debruça-te cuidadosamente sobre as plantas da madrugada
Destrói a angústia resignada das gentes da minha terra
Abre-lhes os horizontes dos cantos da esperança
Vem cacimbo
Derrama a tua inquieta saciedade sobre a minha natureza
A esta hora empoeirada com o barulho das esquinas
Com o cheiro a óleo sujo dos automóveis
E com a visão daquele nosso amigo cujo ordenado são quinze escudos
diários
Irremediavelmente caído sobre a grama do jardim
Ô cacimbo
Eu quero percorrer teus campos sossegados
Orquestrados pela alegria do beija-flor”
PARA QUE AVANCE A PRIMAVERA!