Jun 12
“Piauiense ajuda comunidades na Angola a alavancar renda”, Jornal meionorte
Há cerca de cinco dias na Angola desenvolvendo um projeto de fomento ao empreendedorismo com a população local, o piauiense Lenildo Lima já começa a sentir o potencial de mudança na realidade dos pequenos comerciantes do país africano. Convidado pelo Governo para proferir um curso direcionado ao aproveitamento das frutas típicas da região na fabricação de diversos produtos, o engenheiro agrônomo do Piauí demonstrou felicidade com a iniciativa, relatando o desejo de plantar uma semente de prosperidade nas comunidades abarcadas pela ação. “Eu transformo todas as frutas que eles têm, em 20, 30 produtos. Cada fruta que eles tem aqui eu estou transformando, estão trazendo coisas que eu nunca tinha visto, eu vou trabalhar na região porque eles tem muito, e eu quero que eles possam agregar mais valor a esse produto e possam melhorar a renda deles”, disse.~
Piauiense transmite conhecimento (Crédito: Reprodução)
Lenildo Lima ficará no país até o dia 21 deste mês, conduzindo o trabalho também para técnicos angolanos, que absorverão o conhecimento, replicando-o para mais comunidades. “Foi um contrato que eu fiz com o Governo de Malanje, me convidaram e fizemos um contrato para que eu possa fazer um trabalho em 3 comunidades. O primeiro trabalho já comecei com 30 pessoas, terá outra turma com mais 30 e a última vai ser só os técnicos, para que eles possam repassar”, afirmou. O piauiense relatou a difícil realidade local, impondo a importância do curso para alavancar a renda dos vendedores de rua do país, levando a eles noções de como aproveitar da melhor maneira possível as frutas típicas. “Quando eu cheguei aqui chorei de tristeza, porque você vê um mercado daqueles, mais de cinco mil pessoas vendendo tomate, batata, peixe no meio da rua, sem higiene, sem nada, não tem indústria, a situação deles é muito precária”, complementou.

Realidade na região é difícil (Crédito: Reprodução)
Por fim, o engenheiro agrônomo impôs para o sentimento abstraído após as primeiras ações nas comunidades, levando consigo a esperança de que dias melhores virão. “Quando comecei a treinar a capacitação, que comecei a aproveitar as frutas que eles tem aqui, foi todo mundo aplaudindo e gritando, agradecendo a Deus por ter vindo, que eu acho que vou dar uma alavancada danada na renda daqueles que estão participando da capacitação. Estão todos ansiosos, sonhando com isso aqui, feliz da vida, porque vai melhorar a vida deles”, finalizou.
Lenildo fica até o dia 21 em Angola (Crédito: Reprodução)
Jornal meionorte 2017.06.09
Jun 09
As luvas nos rituais maçónicos
Nos primórdios das lojas especulativas, na esteira do que se passava com as operativas, as luvas eram dadas por quem entrava a cada um dos membros da Loja, e não o inverso como se pratica actualmente.
Será só a partir de 1737 aproximadamente, que essa tendência se inverte, passando a loja a oferecer aos iniciados um par de luvas para si e outro par de luvas de senhora, para “aquela que mais estimar.”
Numa notícia publicada em Londres, em 1723, no jornal “The Flying Post” refere-se que “quando um franco-maçon entra (na maçonaria) depois de ter dado a todos os presentes a Fraternidade um Par de luvas de Homem e de Senhora , …”, sendo esta a primeira referência conhecida a luvas de mulher com a prática ritualista da iniciação maçónica, passando a ser a regra a partir desta data.
Mais tarde, ao longo do século XVII em França começa a aparecer concretamente que o aprendiz recebe além do avental em pele branca, um par de luvas para si e um par de luvas de senhora para “aquela a quem mais estimar.”
Num ritual de 1773 do rito escocês rectificado, surge a menção a três pares de luvas, com o seguinte destino:
1. um para o uso do próprio aprendiz
2. um segundo para a mulher que ele mais estimar
3. um terceiro que é o emblema da pureza que o maçon deve procurar atingir.
As luvas permanecem assim como um elemento não só de protecção material como espiritual, uma vez erigido o templo, e estando em trabalhos, a pureza de espírito deve reinar.
Leia-se esta saborosa passagem de Leão Tolstoi, da sua obra “Guerra e Paz”, escrita entre 1865 e 1869, a propósito da iniciação de aprendiz maçon do conde Pierre Bezukhov : “….puseram-lhe na mão uma colher de pedreiro de três pares de luvas(…). Quanto ao primeiro par de luvas de homem, disse-lhe [o grão-mestre] que ele não poderia compreender-lhe o significado, mas que era bom que o conservasse; quanto ao segundo par, de homem também, disse que o devia trazer às reuniões; e por fim, quanto ao terceiro, esse de mulher, declarou: “Irmão, estas luvas de mulher também te foram igualmente atribuídas. Dá-as à mulher que tu respeitares acima de todas. Este presente será o penhor da pureza do teu coração para com aquela que deves escolher como digna companheira de um pedreiro-livre”. E, após, um momento de silêncio, acrescentou: “Mas cautela, meu irmão, não consintas que mãos impuras calcem essas luvas. (…) ”.
Ragon, no seu Ritual do Aprendiz Maçon, diz a propósito da iniciação:”o Venerável entrega-lhe dois pares de luvas, dizendo-lhe: Recebei estas luvas; sua brancura ensina-vos que a candura reina no coração dos maçons e que vossas acções sempre devem ser puras.- Não admitimos mulheres em nossos mistérios; mas, prestando uma homenagem à sua virtude, gostamos de avivar sua lembrança. Eis as luvas que dareis à mulher que mais estimais”.
A prática comum, mantida nos nosso dias, é a de ser entregue um par de luvas brancas na altura da iniciação, a fim das mesmas serem usadas aquando dos trabalhos em Loja.
Todavia, este princípio de que os maçons devem usar as luvas durante as suas sessões de trabalho, sejam solenes ou ordinárias, admite actualmente, três excepções:
– a primeira quando se presta um compromisso ou juramento maçónico – com a excepção evidente da iniciação ao grau de aprendiz -, em que se retira a luva, mostrando-se o maçon tal como ele é, despido de qualquer protecção simbólica;
– a segunda excepção é quando se realiza a cadeia de união, em que o contacto fraternal entre os Irmãos é feito através das mãos sem luvas.
– Uma terceira excepção é a que ocorre quando um Irmão concorre com metais para o tronco de beneficência, devendo tirar a luva para pegar no dinheiro.
Se bem que estas excepções sejam praticadas com ambas as mãos, considera-se que o retirar a luva da mão direita corresponde a uma abertura franca do espírito e da mente devido ao facto da mão direita se situar no lado racional e da voz do Homem.
Por tudo o que ficou escrito e descrito, penso que ao uso das luvas na maçonaria simbólica, tem razões de tradição e justificativos que permitem afirmar que o seu uso deve ser obrigatório durante as sessões.
Esperemos que os Irmãos tenham consciência dessa exigência.
Manuel Pinto dos Santos







