Apenas quatro dos 13 cantores angolanos portadores de deficiência transitaram para as meias-finais, na disciplina de canto, da primeira edição do concurso Digital African Handi-Talents, uma competição artística e cultural promovida na Costa do Marfim.
Trata-se de Emildy Kennedy, cantora de soul, r&b e música alternativa, José Valdinho “Fresh Niggaz”, Jota MC “Melutu”, rap, e Salu B (música alternativa), os angolanos, que constam entre os 20 semi-finalistas, disputam até o dia 12, por uma das 10 vagas para a final, agendada para o período de 15 a 22 do mês em curso.
O músico Don Kikas celebra domingo, a partir das 14h30, na “Live no Kubico”, a ser transmitido pela TPA, RTP África, Média Mais de Moçambique e Platinaline, os 25 anos de carreira com um concerto, no Cine Teatro Capitólio, em Lisboa, com a participação de Bonga e Tito Paris, numa produção da Frequentaplauso.
Josiano Francisco é uma das centenas de crianças, adolescentes e adultos que descobriram que podem passar um tempo de qualidade lendo livros e outras publicações na biblioteca instalada debaixo da ponte pedonal da Robaldina, no município de Viana.
O menino deleita-se ao explorar um livro de banda desenhada. Soletra devagar, procurando decifrar e associar o texto escrito aos desenhos. Josiano Francisco é um utente assíduo da biblioteca que já se tornou uma paragem obrigatória para muitos moradores daquela zona, e não só. O caso mais curioso é o de Nerisvaldo Lopes, 11 anos, que tem um gosto “diferente” de leitura, em relação aos outros rapazes: ele lê apenas livros de culinária.
“Vivências – dois povos, duas culturas” é o tema da exposição fotográfica da brasileira Ana de Oliveira, que é apresentada o próximo ano, em Luanda, no âmbito da parceria entre a Associação Globo Dikulu de Luanda e o Colectivo Raízes de São Paulo, Brasil. “Estas viagens turísticas permitiram ter um olhar diferente sobre os africanos, a partir de uma realidade muito distante da transmitida por alguma imprensa internacional. A exposição é uma narrativa fotográfica da vivência destes povos”, explicou. Apesar da abrangência, a mostra faz também enfoques particulares ao modo de vida dos angolanos e brasileiros, que, com culturas diferentes, são unidos pelo mesmo idioma.
A Fundação Troufa Real-Ukuma e toda a sua equipa enviam os mais calorosos parabéns ao nosso Membro do Conselho Científico, Dr. Duarte Teives, neste dia de aniversário, com desejo de boa saúde e vida longa.
O acervo museológico da sala de exposição de crenças religiosas é dos mais interactivos e desperta maior atenção dos visitantes do Museu Regional do Dundo, na província da Lunda-Norte. O Museu possui também um arquivo de centenas de relatórios dos diferentes serviços da extinta Companhia de Diamantes de Angola (Diamang). O Museu começou a ser criado no longínquo ano de 1936 e subsidiado pela então Diamang. Em 1976, foi nacionalizado e apresentado como instituição museológica identitária, voltada para a conservação do acervo cultural, material e espiritual dos povos Lunda Cokwe.
Político visionário, temperado nas melhores tradições do moderno nacionalismo angolano, António Agostinho Neto deixou um importante legado político que, nos dias de hoje, tanto quanto como nos de ontem, deve ser assumido como capital político e património de todas as forças progressistas do nosso país
Duas frases mágicas (ou dois slogans políticos, duas «palavras de ordem» ou, enfim, duas fórmulas políticas lapidares) reveladoras do seu pensamento, proferidas, curiosamente, no mesmo lugar. Este era inicialmente conhecido por Largo 1.º de Maio, pois aí terão sido realizados os principais comícios e desfiles em prol do Dia Internacional dos Trabalhadores e, posteriormente, rebaptizado Praça da Independência, justificado em virtude da ocorrência óbvia: nesse lugar, foi proclamada a independência da República Popular de Angola, no dia 11 de Novembro de 1975. As duas máximas aí proferidas pelo Presidente/Poeta, conformam o que chamo de testamento político do primeiro Presidente da República Popular de Angola (1975-1979).
Em “Sagrada Esperança”, Agostinho Neto adopta, na sua essência, o modo mimético, regressando à linhagem conceitual iniciada por Cesário Verde. Do modo romântico, entretanto, o poeta militante conserva a metáfora da consciência como doença, esforçando-se por lhe atribuir um significado diferente.
O poema “Mussunda Amigo”, que não deixa de ser um dos mais emblemáticos escritos poéticos de Agostinho Neto, traz em si alguns aspectos importantes para compreendermos um poeta verdadeiramente inspirado. Entre eles, há a marca preponderante da junção colectiva de um “eu” e de um outro, figurado através do personagem Mussunda, para resultar, no final do poema, em um “nós”. Este é reforçado pelo “somos”, que, por sua vez, é marcado por várias implicações, entre elas: a reelaboração da formação de uma consciência histórica; o mesclar de um hibridismo linguístico, quando o poeta, como é próprio de sua prática, circunscreve cantos da cultura angolana no corpo do poema; a presença marcante de interrogações que corroboram a problematização do passado histórico; a rememoração e o ritmo final permeado por uma esperança. Além do mais, o poeta reinvoca o passado histórico: “Lembras-te? / Da tristeza daqueles tempos / em que íamos / comprar mangas / e lastimar o destino /das mulheres da Funda, / dos nossos cantos de lamentos / dos nossos desesperos / e das nuvens dos nossos olhos / Lembras-te?” (Neto, 2016, p. 64).
O processo de formação intelectual de Agostinho Neto tem uma dimensão ética que se analisa em virtudes constitutivas da sua condição de intelectual orgânico. A avaliação de tais qualidades exige um conhecimento da genealogia do seu pensamento cultural O momento genealógico inicial situa-se na década de 40 do século XX. Pode ser observado em dois textos de opinião, publicados em “O Estandarte”, jornal da Igreja Metodista, nomeadamente “A Nova Ordem Começa em Nossa Casa” e “A Paz que Queremos”, entre 1944 e 1945. Mas é com “Instrução ao Nativo”, publicado igualmente em “O Estandarte” em 1945 e com “Uma causa psicológica: A ‘Marcha’ para o Exterior” e “Uma Necessidade”, publicados no jornal “O Farolim”, em 1946, que o discurso nacionalista revela as marcas do nativismo angolano das primeiras décadas do século XX. Justifica-se, por issso, o desenvolvimento de uma abordagem que privilegie o quadro mais amplo da história intelectual de Angola.
Agostinho Neto nasceu às cinco horas do dia 17 de Setembro de 1922 em Kaxicane, localidade da circunscrição civil de Icolo e Bengo cuja sede se encontrava situada em Catete. Nessa data, o pai, Agostinho Pedro Neto, era pastor da chamada “Missão Americana de Luanda”, tendo sido ordenado presbítero em 1925. Em 1930 a família fixa residência no Bairro Operário, em Luanda, onde seu pai assumiria a responsabilidade de chefiar o colectivo local de pastores da Igreja Metodista.