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Dez 23

Foi sempre entusiasmente colaborar com tão ilustre artista

Como Empresário Hoteleiro durante mais de 40 anos, com actividade desenvolvida em 4 continentes, participando em cerca de 3 dezenas de projectos de Hotéis, quer construídos de raiz, quer ampliando ou remodelando, tive a feliz oportunidade de trabalhar com muito bons Arquitectos, sem contar com os Professores, desta área, dos cursos que frequentei na “School of Hotel Administration” da Universidade Cornell, E.U.A.Durante centenas de anos os Hotéis podiam contar-se entre os mais belos edifícios do mundo.Mas os Hotéis não podiam ser considerados pelos Arquitectos, unicamente como um monumento, mas sim um edifício multi-uso que para uns seria “uma casa fora de casa”, para outros “um escritório fora do escritório” e para alguns um sítio para entretenimento ou local de celebração.

E aqui tinha de surgir, necessariamente, a verdadeira criatividade e talento do Arquitecto. Se é certo que os Hotéis podem ser considerados, por todo o seu charme, um fascinante negócio, não  nos podemos esquecer que, na realidade, são negócios.Uma boa arquitectura pode dar ao Hotel uma forte personalidade, com promessa de serviço personalizado que atrai Hóspedes e os fazem desejar voltar.

Por isso mesmo a boa arquitectura deve continuar sempre envolvida com a indústria hoteleira, hoje considerada uma das mais importantes actividades a nível mundial, não só no que concerne à criação de novas unidades, mas também no que toca à sua renovação e restauração.A indústria hoteleira está em constante evolução e é hoje altamente competitiva, pelo que os Hoteleiros têm que colocar todos os conhecimentos e experiências postos à sua disposição para cativar e manter os seus Hóspedes. Uma boa medida do seu sucesso é determinada, sem dúvida, pela qualidade do seu serviço. Mas é, também, determinada pela sua arquitectura, decoração e funcionalidade, com espaços correctos, cuidadosamente planeados para satisfazer as necessidades humanas e o conforto. Não nos podemos esquecer que um Hotel é um lugar onde as pessoas podem viver, ainda que seja para uma curta estada.

Conheci o Arquitecto Troufa Real em Luanda (Angola) há cerca de 30 anos.

Com ele ali trabalhei em dois projectos. Um de remodelação e ampliação do nosso Hotel Continental e o outro na criação de uma grande área de “ressort” de nível internacional, ao estilo da famosa “Sun City”, da África do Sul. Localizada a poucas dezenas de quilómetros de Luanda, num local paradisíaco com uma extensa praia de águas límpidas e areia fina, seria constituída por Hotéis, casino, centro de congressos, golfe, marina, etc., etc.

Infelizmente, este apaixonante projecto, muito embora já em fase adiantada de estudo e com recursos financeiros assegurados, teve que ser abandonado face às novas realidades surgidas após o 25 de Abril de 1974.

Mais recentemente, em Portugal, tive novamente a oportunidade de trabalhar com o Arquitecto Troufa Real no projecto de um Grande Complexo Turístico que, embora esteja, ainda, em fase de estudo, deu para revelar, mais uma vez, o seu grande talento e criatividade.Por tudo isto, devo declarar que foi para mim sempre entusiasmaste colaborar com tão ilustre Artista, a quem presto as minhas muito sinceras homenagens.

 

Joaquim Paredes Alves
Empresário Hoteleiro Bailli-Delegado da Confraria Chaîne des Rotisseurs