Fev 06

Pavilhão NOCAL, Angola 1972

  
Na Feira Internacional de Luanda, Angola
Autor: Troufa Real Prof Arquitecto

Fev 04

Fernando Batalha


Com Mestre Fernando Batalha, nos seus 90 anos. Fez o levantamento do Património Arquitetónico de Angola e ficou muitos anos depois da independência e por lá deixou uma marca de estima e admiração de toda a nova geração de arquitetos.

Fev 03

Pedro Cabrita Reis


Com o artista plástico Cabrita Reis no Atelier da Horta Seca a estudar o Palácio Sárrea em Portimão.

Fev 02

Novos valores da Cultura – Juventude, Abril 1988

A arquitectura interessa à Juventude quer pela sua forma simples de representação, o desenho, – encanto transportado da infância -, quer pela atitude culturalmente inventiva na transformação e criação do Mundo. Daí que seja uma vontade amplamente expressa na corrida aos cursos de arquitectura em toda a parte, não sendo excepção Portugal, provavelmente acentuada pelo crescente apelo do Estado e da sociedade civil para que a arquitectura seja feita por esses profissionais que desde a antiguidade são designados por arquitectos.
Actualmente, as palavras de ordem são «arquitectura para os arquitectos» «quantos mais formados, melhor será o Mundo». Obviamente que o progresso passa necessariamente pela «mão» do arquitecto.
As escolhas de Lisboa e Porto tornaram-se pequenas para a forte procura. Encontram-se completamente saturadas. Todos os anos se assiste a uma triste exclusão do ensino da arquitectura de muitos jovens, por força da lei dos «numeros clausus» não vendo assim realizados os sonhos de infância, a vocação descoberta ou o direito de escolha. A alternativa, entre outras razões, foi encontrada na criação de novas escolas privadas, plenamente justificadas perante a inércia, da obra pública, muito embora nem sempre acessíveis economicamente.
O enquadramento dos portugueses no Mundo, pelo rasto da história, representa em termos de comunidade lusófona um universo que abrange todos os continentes. Procurar Portugal para estudar é um facto também incontestado. As escolhas estão cheias de jovens de todo o Mundo de diferentes nações falando a mesma língua.
Assim, resta-nos entender, que às escolas de arquitectura portuguesas, públicas ou privadas, cabe a responsabilidade de preparar jovens arquitectos não só para servirem no território nacional como também para partirem para grandes aventuras por esse mundo fora. Assim esperam as terras de emigração, as novas nações africanas e terras do Oriente.

 

Troufa Real
Arquitecto Professor Doutor
Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa

(Organização do Gabinete do Ministério da Juventude e da Secretaria de Estado da Cultura  . Colaboração do Clube Português de Artes e Ideias)

Jan 27

Júlio Pereira

JÚLIO PEREIRA, morreu no dia 13 de Dezembro último no Hospital de S. José, em vésperas de fazer mais um aniversário. Foi uma brutal surpresa. Nasceu em Lisboa a 24 de Dezembro de 1922 na Rua do Cruzeiro, na Ajuda. Infeliz­mente, não lhe podemos oferecer a festa que ritualmente todos os anos lhe fazíamos no atelier da Rua da Horta Seca com prendas, bolo de anos e tudo.

Pintor maldito de grandes escândalos e discussões públicas, amado e odiado si­multaneamente.

Grande jogador de xadrez de preferência no antigo Monte Carlo ou no Ateneu.

O seu dia a dia repartia-se entre a Colina da Sé (sua casa) e a do Chiado.

Conhecia tudo e todos, tinha preferência pelas montras das livrarias (gastava fortu­nas em livros). Tomava a sua bica do meio-dia com um grupo de velhos amigos na Brasileira. Quase sempre almoçava no Jaime do Bairro Alto, quando não estava zangado com ele, onde se batia à sexta-feira com uma pratalhada de bacalhau com grão. Às segundas preferia juntar-se ao Sá Nogueira e à Alexandra numa tasca das Taipas.

À tarde ia até ao Clube da imprensa onde normalmente discutia com alguém, ou mesmo insultava, sempre por questões de arte. de mulheres ou da politica corrente; estava sempre do lado das minorias: O eléctrico “Prazeres 28” era o seu trans­porte preferido (entre colinas).

Gostava todas as tardes de passar pelo meu atelier para mostrar os seus últimos desenhos, (elaborados na véspera ou du­rante a noite) contar as últimas intrigas ou mais urna aventura de mulheres e para dormir um bocadinho na paz do silêncio, numa cadeira de balanço que proposita­damente lhe arranjamos para o descanso e para ter junto de um candeeiro de latão que lhe tínhamos oferecido, faz agora alguns anos como prenda de aniversário. Às vezes aproveitava para fazer uma partidinha de xadrez (a sós) num tabuleiro azul que lhe preparámos exclusivamente para se en­treter e estudar jogadas. Ultimamente almoçava numa tasca da rua 1ºDezembro que segundo a Marília, escul­tora amiga, foi onde se matou com as gor­duras dos petiscos.

Para nós, que gostávamos muito dele e para além do grande amor que nos ligava con­siderámo-lo sempre como um dos grandes Desenhadores Expressionistas do mundo.

A sua série de Capricórnios eróticos é notável. Os seus retratos impressionantes. Na pintura o seu percurso situa-se por um lado, no universo abstracto, inconfundível pelo seu jogo de geometrias puras, de triângulos, quadrados e circunferências-segundo cabalas de composição e de traçados {que importa estudar) e que ine­vitavelmente tinham a ver com a sua grande obsessão pelo número, pela geometria e pelo xadrez que tanto praticava. As cores utilizadas eram puras mas trabalhadas segundo também uma escala ritualizada de grandes contrastes e regras pintados de uma forma ritmada dirigida e encorpada. Por vezes usava a colagem. Por outro lado tinha uma outra pintura cujo discurso era nitidamente figurativo, de grande gestualismo expressionista.

Tinha o hábito de “treinar” o Desenho e a Pintura, recorrendo a temas de grandes mestres da pintura do passado, que gosta­va. Obsessivo pela pintura flamenga, van­guardas socialistas, construtivistas e curio­samente obstinado pela figura e obra do Picasso com quem sempre se identificou, e que encarnava nas suas discussões, considerando-se muitas vezes melhor que ele o que por vezes tinha razão. Nunca se quis vender aos “marchans”, que o tratavam sempre mal e a quem cora­josamente também soube retribuir na mesma moeda Tentaram-no fazer esquecer, para o retirarem do “mercado” da cultura corrente e banalizada, o que foi bom. Por isso é que ele próprio fazia o seu negó­cio da sobrevivência. Batia às portas dos amigos, dos arquitectos que gostava e que o iam aguentando como podiam. O Tainha, o Taveira, eu próprio tivemos sempre essa sorte.

Conviveu com Cassiano Branco, no Nicola nos velhos tempos e com o Segurado, na Brasileira.

Fez parte do grupo do Hogan, Guilherme Parente. Sérgio Pombo, Virgílio Domin­gues e da Teresa Magalhães tendo mes­mo com eles constituído o grupo de­signado pelos 5+,que se passeou pela Áustria de autocarro onde aban­caram na casa do Vitorino de . Almeida quando era Adido Cultural.

Era casado há 42 anos com a Fernanda mulher simples mas notável, paciente e inteligente que sempre o soube aguentar no mundo fascinante e difícil das suas grandes paixões. A gata lá de casa era a rainha, tudo lhe perdoava.

Pintava de noite até de madrugada, levantava-se ao fim da manhã e depois era o ritual da Cidade de Lisboa. Só deixou de ir ao Monte Carlo depois das obras e do desastre do Monumental.
No dia treze de Dezembro, número que detestava, deixava milhares de desenhos, pinturas e escritos escondidos secretamente em sua casa-atelier que ficariam à sua espera, para sempre confiados à Fernanda a sua grande companheira e à gata. Os amigos agora choram e recordam a sua presença. Os inimigos terão que chupar a sua imortalidade. Estamos juntos. Júlio,  vamos eternizar a tua obra.

 

Troufa Real Prof Arquitecto
Câmara Municipal de Lisboa, Agenda Cultural
Maio 1994

Jan 27

Cassiano Branco, o Arquitecto da Noite

“Cada edifício que vês é um homem que não vês.’

Louis Sullivan (1856-1924)

Conheci Cassiano Branco no início dos anos sessenta, no café Nicola, por volta da uma da madrugada, através do Gueifão Ferreira, seu colaborador e meu grande companheiro de desenho e das noitadas de então. Foi a meu pedido que me levou a um dos encontros de rotina que àquela hora costumavam ter, para conversarem sobre o trabalho que se estava a desenvolver no atelier. Fiquei impressionado pela figura do Mestre. Grande, imponente, muito bem vestido, à moda antiga, e de chapéu. Eslava rodeado de amigos. Ali, encontrava-se normalmente àquela hora com companheiros de ideário clandestino, da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade. Artistas, homens de leiras, colegas (muito poucos), gente “maldita”, suspeita e incómoda ao regime. Todos tinham um ponto comum, uma certa e discreta marginalidade dentro do sistema social estabelecido.

Nesse tempo, quer na Escola Superior de Belas-Artes, que frequentava e que já incluía professores que constituíam as vanguardas de então, fanáticos arautos do “movimente moderno’ e que hoje oportunisticamente embandeiram em arco Cassiano Branco, quer nos ateliers de então (salvo raríssimas excepções) por onde a minha geração de escola passou, “a vender a mãozinha” muitas vezes a troco de vícios que ainda hoje se manifestam em projectos que se fazem, esqueciam-no ou criticavam-no negativamente. Chamavam-lhe ironicamente o arquitecto “tomarense” dos “patos bravos”, pelo tipo de clientes que tinha, mulherengo, pelas suas ligações amorosas e invejável virilidade sexual, boémio e marginal, pelo ritmo do seu curioso quotidiano, pois trabalhava e convivia de noite, deitava-se ao amanhecer e dormia até tarde. Há quem diga, por graça, que Cassiano Branco tomava o pequeno-almoço ao meio-dia, almoçava às oito da noite e jantava à uma da madrugada no Nicola. Talvez por isso não se tenham lembrado dele, nos anos cinquenta e sessenta, nas “distribuições” dos projectes para Olivais Norte, Olivais Sul, Cheias e tantos outros sítios…

Profissionalmente, Cassiano Branco dividia a sua actividade entre a Junta Nacional do Vinho (dia) e o seu atelier (noite), que era também a sua casa. Tudo estava próximo, entre o Largo do Rato e a Rua Castilho, o que não o preocupava porque gostava muito de andar a pé. Para as grandes distâncias ou pressas, andava de táxi. Tinha mesmo um motorista amigo que, todas as noites, o ia buscar ao atelier para o levar ao Nicola.

Não era um grande comedor nem bebedor, mas tudo tinha que ser bom. Fumava muitíssimo e ele próprio fazia os seus cigarros pacientemente, de mortalha. Quanto a clientes particulares, eram os possíveis. As “vanguardas” profissionais não lhe davam muita importância, e até o esqueciam, se fosse caso disso. Prudentemente não entrava em polémicas, nem se sujeitava a grandes jogos abertos. A clandestinidade maçónica conferira-lhe uma disciplina de vida e uma forma de estar no mundo muito discreta. Dava-se com pouca, mas notável gente, interessada na sabedoria, na beleza e no debate fraterno das ideias. Era tolerante nas suas relações, muito exigente consigo próprio, principalmente no trabalho. Quando era fundamental, aparecia a público na defesa das liberdades. Muito culto, liberal, requintado nas atitudes e sempre apaixonado.

O seu atelier não era grande, ocupava o rés-do-chão de sua casa. Tinha um ambiente artesanal, com poucos estiradores, meticulosamente organizado à sua maneira. Trabalhava num grande estirador onde desenhava os projectos de uma forma ritualizada com “T” e esquadro de madeira, à boa maneira antiga e com lápis “wolfe”, que afiava a canivete e colocava disciplinadamente sobre o estirador como um exército. Preocupava-se muito com o aspecto dos desenhos. Os projectos eram desenvolvidos e desenhados por ele até ao mais pequeno dos detalhes. Era rigoroso a desenhar. Tudo tinha de ficar certo e perfeito. Assim confirma a sua herança desenhada e construída.

Não recorria regularmente a colaboradores. Não necessitava. Personalizava possessivamente a sua obra através dos seus próprios desenhos.

Acompanhei e até ajudei, num desses raros momentos de trabalho conjunto, um dos seus colaboradores — o Gueifão Ferreira — através do qual, como já referi, conheci Cassiano Branco. Davam-se bem, por feitio, por compatibilidade de ritmos de vida e, fundamentalmente, porque desenhava muito bem a “wolfe”. Tinham-se conhecido na Junta Nacional do Vinho onde ambos trabalhavam. Vê-los desenhar frente a frente no atelier era espantoso. O mestre Cassiano Branco sentado ao estirador, com o seu ar distinto, muito bem engravatado, de camisa não arregaçada, suspensórios à vista e por vezes de chapéu, entretinha-se a desenhar, a aparar os lápis, a fazer cigarros e sempre a conversar, vendo o trabalho evoluir nas mãos do Gueifão, no estirador em frente, voltado para ele, cujas instruções cumpria escrupulosamente, já que o respeitava e admirava como mestre na arte de desenhar e como homem modelo de vida. As sessões eram interrompidas ritualmente à meia-noite, para o bifinho e o cavaqueio da ordem, no Nicola.

Gostava de tudo o que era bom e bonito. Batia-se por isso. Em cima do estirador, na mesa do café, na cama… tentava sempre fazer o melhor. Despertou paixões de lindas e notáveis mulheres, cuja relação considerava necessária para a sua criatividade.

Deixou uma grande e oportuna obra de arquitectura. Podia ter sido mais bem aproveitado. A escola de arquitectura de Lisboa excluiu-o, perdendo-se o grande pedagogo que era. A cidade de Lisboa perdeu também a grande oportunidade de se qualificar com mais obra sua, principalmente nas novas zonas de Olivais e Cheias onde a sua participação foi intencionalmente esquecida não só pelos responsáveis políticos da administração da cidade, como pelos próprios colegas que com responsabilidade a serviam.

Cassiano Branco é, para além da sua obra, uma referência. É mais um exemplo que nos fica, de louvar os mortos depois de mal­tratados em vida…

 

Troufa Real Prof Arquitecto
(in Cassiano Branco Uma Obra para o Futuro. Câmara Municipal de Lisboa / Pelouro da Cultura, 1991,
1ª Edição, Lisboa, 60-65)

Jan 24

Retratos

A FTR, na sua missão de apoiar a Arte Contemporânea, encomendou ao artista Leonel Moura uma série de retratos de que se destacam os de José Eduardo dos Santos e Isabel dos Santos aqui reproduzidos:


JES, 2016, acrílico sobre tela, 60 x 180 cm


IS, 2016, acrílico sobre tela, 60 x 60 cm

Leonel Moura tem-se destacado internacionalmente com o seu trabalho com robótica e inteligência artificial, tendo exposto em muitos países dos quais: China, Índia, Brasil, Estados Unidos, Rússia, Turquia e em vários locais na Europa. Em 2009 foi nomeado Embaixador Europeu para a Criatividade e Inovação. Este ano, entre outras iniciativas, é artista convidado pelos Museus franceses para uma exposição de arte tecnológica na Expo 2017 que se realiza em Astana no Casaquistão.
Apesar desta vertente robótica Leonel Moura tem continuado a realizar retratos. Terá feito mais de uma centena de que se destacam dois:


Eusébio, 1995, acrílico sobre papel, 50 x 35 cm


Xanana, 1996, acrílico sobre papel, 50 x 35 cm

 

Jan 22

CUC_2017

Com Gorila de Leonel Moura

Jan 22

Trópicos

Cores e formas da Arquitetura Tropical


México


México


Adansonia grandidieri (arquitetura natural…)


Indonésia


Chade

 

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