Dez 23

Uma duradoura amizade

Conheci o arquitecto Troufa Real em 1970, em Luanda, no Agrupamento de Engenharia de Angola, de que eu era comandante, e Troufa Real alferes miliciano.

Era a guerra colonial, uma guerra injusta que o governo fascista-colonialista português fazia aos povos das colónias e à luta dos seus Movimentos de Libertação.

O alferes Real sentia bem a injustiça da guerra em que estávamos envolvidos.

Anti-colonialista, miliciano, arquitecto entre tantos engenheiros, e engenheiros militares, sendo irreverente, dotado de muito talento e de uma acentuada sensibilidade artística, desassombrado, frontal e crítico e, ainda, dadas as tradicionais diferenças entre os arquitectos e os engenheiros, ambos criadores à sua maneira, o alferes Real, inevitavelmente, tinha frequentes confrontações e incompreensões com os seus superiores.

Acresce que o campo de acção profissional do arquitecto Real, em que ele pudesse realizar as suas potencialidades, era muito limitado no âmbito da actividade do Agrupamento.

Era necessário compreender e respeitar a sua personalidade, tanto mais que, numa situação como a daquela injusta guerra, havia que garantir para a própria defesa dos nossos homens relações de sólida camaradagem.

Foi nestas condições tão adversas que, entre mim e o arquitecto Troufa Real, surgiram e se desenvolveram relações de uma sã camaradagem que cimentaram, entre nós, uma profunda, sólida e duradoura amizade de que guardo frequentes provas, muito carinhosas, da parte de Troufa Real.

É, pois, para mim, particularmente grato ter oportunidade de exprimir, por ocasião desta exposição de Troufa Real, as razões da sólida, profunda e duradoura amizade, bem como o meu muito apreço humano e artístico que me ligam ao inesquecível alferes Real.

 

Vasco Gonçalves
General. Ex-Primeiro Ministro

Dez 23

O seu primeiro aluno…com muita honra

O Professor Troufa Real é uma figura pública, justamente citado pela notável obra que nos tem oferecido à percepção e sentidos ao longo de tantos anos.

Se a mim me dá gosto falar da profunda amizade que nos une, do gozo das conversas sobre tudo isto e aquilo, e das discussões divertidas quando em projectos conjuntos, nesta ocasião prefiro referi-lo a propósito de um singular episódio que marcou a minha vida. Quando no final da década de 60 estudava na Universidade de Luanda no primeiro ano do curso de Engenharia Civil, um belo dia depara-se-nos a substituição do professor de Geometria Descritiva. Aparece um indivíduo novo, cabelo à pagem meio comprido, jeans dos pés à cabeça, e de sandálias; positivamente de sandálias. E, como se tudo isto não fosse já mais do que surpreendente, o homem trata-nos por tu! Praticamente, o limiar do escândalo num ambiente conservador como era o da época naquelas paragens.

Mal refeito do choque de semelhante surpresa, de coisa inusitada na instituição dos senhores engenheiros de hierarquias bem definidas, e eis que à noite, no Calhambeque – na altura a única discoteca de Luanda, aparece o professor de Geometria Descritiva. A ver quem está. Conversa apropriada e uns tantos copos, passei do espanto à aceitação. E, nas apresentações a uns tantos amigos, disse-lhe, admirado, da singularidade de tudo aquilo.

Ele riu-se.

Esta forma de comunicação franca e fácil, entretanto teorizada, estudada e aplicada como método didáctico, foi naquele tempo estabelecida pela originalidade do Prof. Troufa Real, como uma coisa simples e natural. A título de coincidência, a primeira cadeira que leccionei uns anos mais tarde foi, precisamente, a de Geometria Descritiva. Lembrando-me, é claro, sempre, do meu professor, Troufa Real.

O nosso reencontro no lindíssimo e forte projecto das Casas do Tejo foi denso de histórias e de acontecimentos.A arquitectura não institucional da zona da Expo teve neste projecto a sua génese. Juntos desbravámos as originalidades dos caminhos burocráticos da Expo 98, assim como os das licenças e os das aprovações, próprias das obras de construção em projectos especiais.

Fomos os primeiros na aposta e nas práticas.

Estávamos ainda na altura em que as questões urbanísticas da zona Expo eram a essência de um nobre objectivo. Agora infelizmente deturpado pelas “arquitecturas” sem urbanismo e pelo impune atropelo aos direitos dos cidadãos. Um lamentável desperdício.Viemos de uma África de esperanças e de entusiasmos que conseguimos transmitir a uma Europa de lentidão e cautelas.Por isso, Portugal é hoje um País sui generis na Europa. Como dizia o editorial do “The Economist” há algum tempo atrás, “o melhor país para se viver e o pior para se trabalhar”. Compete-nos vencer este ponto fraco.Mantendo a capacidade de nos indignarmos sempre que necessário, o que é mesmo fundamental é tirarmos partido daquilo que temos, cumprirmos intrinsecamente e difundirmos os princípios da ética e da moral e curtirmos, com vivacidade, o divertimento que é a Vida.

Hoje em dia o Zé Troufa apresenta-me como o seu primeiro aluno…

Com muita honra.

 

António Rosinha
Engenheiro Civil

Dez 23

Trazer à memória Loanda

O Professor Arquitecto José Deodoro Faria Troufa Real é, de um modo geral, uma referência para os Angolanos, exceptuando-se, é claro, os seu detractores. De homem notável há sempre quem diga mal. Os Chineses têm um curioso provérbio, que não resisto a citar: “A cão morto, ninguém dá pontapés”.

Do que ele representa no contexto da sociedade portuguesa e da própria comunidade angolana que em Portugal se refugiou, não é tanto o Artista, nem o Arquitecto notável o que mais impressiona, ao traçar este curto texto. Sabem o que é? É o trazer-me à memória uma Loanda, que se escrevia com “o” em vez de “u”, em que a moeda local não era o escudo prestes a europeizar-se, nem o kwanza do faz-de-conta-que-vale: era, sim, o angolar, o bom angolar e sua irmã menor, a macuta que, se deslizavam, era da mão da miudagem para a do vendedor de baleizão que percorria a cidade no seu triciclo reluzente, de cores suaves e alegres, refrescando e adoçando a boca de pequenos e graúdos…

Era a Loanda das Ingombotas e da Maianga, da pesca à linha, na baía calma, serena, luminosa e ardente, a baía das mabangas com que se enganavam os roncadores e as garoupinhas, do comboio-bébé que percorria a Ilha, dos coqueiros e casuarinas, que a emolduravam. Era, enfim, a Loanda das quitandeiras, das mabocas e pitangas, dos tamarindos e da fruta sape-sape, onde meninos brancos, pretos e mulatos confraternizavam, nas suas brincadeiras, alheios às “conferências contra o racismo”. Era a Loanda onde, de quem não ria nem brincava, se dizia estar “com cara de múcua”, a Loanda das matinées do “Nacional”, agitadas e barulhentas, em que se fazia um súbito silêncio, logo que as luzes se apagavam….

Era a Loanda de tantas e tantas coisas gostosas, que nem um livro chegava para as recordar a todas…

E, quando hoje (e não há semana em que isso não aconteça, uma, duas ou mesmo três vezes) estou com o Zé Troufa Real (o nosso Zé), não é o Artista de sessenta anos, homenageado, consagrado e extrovertido, com aquela graça espontânea que Deus lhe deu e que a Vida refinou, que um dia embarcou para a Metrópole, para ser arquitecto e por aqui granjeou amizades e notoriedade… Que me interessa o Professor, se eu sempre verei o miúdo?….

 

Humberto Baptista da Costa
Velejador. Membro Fundador da Mesa de Luanda e de Portugal dos Irmãos da Costa
17.09.2001

Dez 23

Acerca dele, o Troufa Real

Se você dispuser, a seu lado ou por si, duma carta de Le Monde Politique, essa carta expressa, com dimensão acima da média, de limites e áreas precisas, um território algures em África e por convenção designado por Angola. Por ali, e sempre por ali, em conflito identitário não resolvido, existiu e existe um Troufa Real.

Menino, estupefacto e apreensivo, eu partilhava voos sobre a cidade. Troufa, de check list a fazer-se já por cima da dita, verificava, com frequência e paixão inusitadas, a formação e o crescimento da cidade. Indicadores de luminosidade, tragédias sentidas, discurso inflamado, a irreverência e o discurso da reforma, encontrava emissor credenciado neste personagem. Justamente, personagem. Por baixo, a cidade política, já antes de Abril, supunha, vagamente, a fúria troufiana nos dias seguintes. Rompia por gabinetes de decisão, de Palácio ou de instituição municipal, e fervia de ideias, necessidade de resolução e afirmava do direito à cidade daquelas imensas, mas apercebidas, áreas negras no texto da capital.

O urbanismo, as prudências na concepção, no programa e na forma de abordar, o amor por isso, pela cidade, o entusiasmo fervilhante pela ideia da pólis e das suas múltiplas faces (todas merecedoras de respeito), tudo isto eu aprendi com Troufa Real. Em si, e antes de tudo o resto, o homem é um pedadogo de excelência e de conhecimento diverso. Menino, para o bem e para o resto, incutiu-me esse gosto. Foi-se um provável engenheiro de minas, nasceu, por sua causa, um urbanista persistente.

E quantos, naquela cidade e nesta cidade-centro (a Lisboa do império) , não lhe devem a energia, o gosto, e a vontade de tratar dela e fazer por ela ?

O Musseque, essa imensa área intestina da cidade, mas pulsante de vigor e produção cultural, ganhou presença na mesa de decisores. Presença promocionada por aquele feitio incontornável, único, de irreverência incontida e expressão de negócio permanente. De humores variáveis, o Governador ou o Presidente da Câmara sabiam que a variabilidade só reconhecia contento com esta ou aquela satisfação da cidade negra. E, generosa, a cidade, essa, sabia, como sabe ainda hoje, que nada lhe era devido. Porventura corre por reconhecimento e esse, o reconhecimento, ele tem-no na sua cidade, hoje, no seu país.

Pedagogo, dirigente, estimulador de serviços públicos, factor de instabilidade no sentido da conflitualidade útil, o Troufa soube, porque é disso feito, transmitir ordem, método, organização e disciplina. Esta, na consideração única e erudita do conceito. Disciplina para ele é, e só, obtenção de resultados. Nada, portanto, a haver com a disciplina requerida por atávicos de sempre, mediocridade espalhada. Foram e são exemplos, entre muitos onde se inscreveu, o Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal de Luanda ou o Gabinete de Habitação de Angola. Ainda hoje perdura essa memória de excelência e de resultados. Como perdura esse lugar de encontros mágicos que se reflectia no seu atelier (de então),  donde se escapavam obras de encanto a pontuar cidades e a preencher de ternura os olhares de cidadãos.

O arquitecto? Esse, reconheci-o naquele espaço imenso de criatividade, bem estar e poesia, por ali, pela Av. António Barroso/Luanda. E por aqui, na Rua da Horta Seca/Lisboa. E em mesas muitas de cafés e restaurantes de Lisboa, Luanda, Macau, Rio ou mundo, na rua ou em viaturas improvisadas, no barco ou simplesmente estando. São aos milhares, os desenhos que, desde então, aquela mão e aquele cérebro de esteta rompante, aquela memória de mundo,  testemunham uma capacidade única de conceber e acrescentar beleza ao mundo.

Beleza construída em lugares por aí, beleza impedida em muitos arquivos de instituições menores também por aí, beleza sofrida esperando mudanças. Mudanças difíceis que o mundo, esse, é lento na admissibilidade dos actos geniais e permissivo e estimulador da mediocridade vaidosa e de arrogâncias estruturais.

Arquitecto e só. Só, em leituras diversas, incapaz de abraçar as exigências do mundo traduzido em variações administrativas.

Dele, só se podem esperar harmonias e sinfonias de desespero nos actos de criatividade incontida. Dele, porventura, porque é o Troufa, não se pode esperar senão isso mesmo.

E também, a total incapacidade de admitir ou considerar sequer a cidade dos papéis em que, aparentemente, todos nos parecemos conter.

Para ele, a cidade são as pessoas e os gestos. 

 

Carlos Fernandes
Engenheiro Civil
17.10.2001

Dez 23

O sentido do desenho de Arquitectura em Troufa Real

O mecanicismo industriaL produziu reprodutibilidade, impôs “modelos” para a domesticação do imaginário e alargou dispositivos topológicos de vigilância e repressão.

O “estilo moderno” na arquitectura correspondeu a essa forma redutora da modernidade.

Esta forma de movimento moderno parecia derrotada com o surgir da contestação social na década dos anos 60.

Porém, esse espírito dogmático e desencantado tem vindo a consolidar¬se com a globalização hegemónica. E arrasta consigo as formas mais conservadoras dum totalitarismo repressivo.

Transformar as nossas cidades em mega-máquinas, esvaziar a arquitectura do valor artístico e simbólico e impor “não-lugares” de pensamen¬to único face à multiculturalidade, são a tentação dos tecnocratas e dos totalitários que proliferam nos nossos dias. Troufa Real é antítese disso.

Os desenhos de arquitectura de Troufa Real são a expressividade poética dos lugares. O desenho criativo desenvolve-se como um “processo” e não como “modelo”. É uma viagem em que as imagens dos edifícios integram valores culturais múltiplos, moldam e deixam-se moldar pela paisagem. Surge assim um diálogo, uma interacção entre o edifício e o sítio, entre o natural e o construído. A arte de arquitectar é antes de tudo um gesto criacionista!

Vejam-se os desenhos do “monumento à lusitude no Tejo”, “as casas do Tejo”, a “casa da Serretinha, nos Açores”, a “Associação Islâmica de Macau” e constatamos como a envolvente paisagística age na matriz do edifício. Nesses lugares, à beira do mar, as arquitecturas parecem barcos. São formas geradas pela própria água. São formas expressivas e simbólicas, com vida orgânica e dinâmica, sem ortogonalidades redutoras ou tipologias estáticas.

Os edifícios são morfologias que se plasmam nas formas do sítio envolvente e na multiculturalidade dos lugares.

O desenho em Troufa Real respira assim um humanismo feito de singularidades que compõem a sua própria unidade.

Cada desenho exprime sistematicamente a relação entre natureza e cultura, entre local e global, entre arte e técnica.

Este processo de desenho criativo contrapõe-se a qualquer formalismo convencional e corporativo. A arquitectura é um “corpus” transdisciplinar e não se restringe a tiques, tipologias ou códigos de manipulação mecânica.

Troufa Real é o oposto do servilismo. É mesmo transgressão e combate a qualquer sistema de regulação disciplinar opressiva. Todavia não é desordem caótica a feitura da sua arte. Vislumbram-se constantemente subtis harmonias feitas de múltiplas polaridades generativas de sínteses criativas.

Os desenhos geram-se não a partir de “tipos” mas de arquétipos matriciais e simbólicos.

Vejam-se as imagens das palmeiras que ressurgem em vários desenhos e que aparecem cromaticamente no tema do “Yacht Constança”. A palmeira é sempre singular. É desenho de uma forma sempre original. No entanto é um arquétipo simbólico recorrente. Várias vezes utilizado, é mesmo uma intrínseca imagem de si próprio como nos manifesta essa sua “assinatura” para um “ex-libris”.

A palmeira do desenho “estamos juntos” é diferente das outras palmeiras do desenho do “batem palmas as palmas das palmeiras”. São diferentes as cores e as formas dessas propostas para o “Yacht Constança” ou ainda para o estudo dos relógios. O valor simbólico do arquétipo une mas não homogeneíza como a tipologia redutora.

É uma cosmovisão espiritual que se expressa nos desenhos de arquitectura de Troufa Real.

Uma cosmovisão feita de utopia futurante que se insere numa tradição messiânica de quinto império da humanidade feito de povos diferentes, de culturas diversas e de cooperações múltiplas. A geometria sagrada ganha sentido como referência a um impulso milenar. Exprimem as aspirações dum artista intérprete dum sonho multicultural e de mestiçagem, construído com encantamento, com feridas e sorrisos, com angústias e desejos que fazem desta obra uma utopia de esperança.

 

Jacinto Rodrigues
Arquitecto Paisagista. Professor
05.2002

 

Dez 23

CUC, Cabinda


Projeto
Campus Universitário de Cabinda

Local
Caio Litoral, Cabinda

Presidente da República de Angola
José Eduardo dos Santos

Governador da Província de Cabinda
Aníbal Rocha

Dono da Obra
Ministério das obras Públicas

Ministro das Obras Públicas
Francisco Higino Lopes Carneiro, General

Director Nacional EMA MOP
José Silva, Engº / Director do Património Público

Director Provincial OP
José António Martins “Buiti”, Engenheiro

OPC
Lourenço Lenvingstone, Arquiteto

IGCA
Alexandre Pita, Engenheiro

Entidades Contactadas

Secretário de Estado do Ensino Superior
Adão Nascimento, Professor Doutor

Regedor do Caio
Faustino Vieira, Professor Escolar

Vice Reitor da UAN Cabinda
Kianvu Tamo, Professor Doutor

Pastor Igreja Evangélica (Caio)
José Alberto Tula

Directora nacional para Expansão e Desenvolvimento do Ensino Superior
Esperança Costa, Professora Doutora Titular UAN

Director Nacional para Avaliação e Supervisão do Ensino Superior
Luís Pires, Professor Doutor IST, Titular UAN

Chefe do Centro de Documentação e Informação UAN
António Miguel, Professor Doutor

Chefe do Departamento de Planeamento Estatística e Projectos
Vitor da Silva, assistente Faculdade de Ciência da UAN, Lic. Matemática ISP Havana Mestrado ISEGI, UNL

Urbanismo e Arquitetura
Troufa Real, Professor Catedrático FA/UTL / Arquiteto Dip ESBAL / Urbanista, Honour Dipl Plan AA London

Autor e Responsável Técnico
Troufa Real, Professor Catedrático FA/UTL / Arquiteto Dip ESBAL / Urbanista, Honour Dipl Plan AA London

Engenharia e Construção
China Road and Bridge Corporation (CRBC)

Fiscalização
Soenco, Projetos e Consultadoria, Lda

Apresentação do Campus Universitário de Cabinda organizado por Rotary Club em Portugal, 2015.09.22

Dez 23

Ao Troufa Real

Neste Planeta, uma Mãe de grandeza incomensurável e divina beleza espiritual, resolveu dar ao mundo um filho chamado Troufa Real.

Amante da Filosofia e da natureza – o Tempo e o Espaço- que faz como seu‟ lema ” o seguinte:

“Quando a sabedoria entrar no teu coração e o conhecimento for agradável à tua alma, o bom siso te guardará e a inteligência te conservará.ʺ

Pois, baseado nesta doutrina, tornaste-te um Homem magnânimo com um grande e belo repositório cogniscitivo, e os teus ensinamentos: carinho, ternura, compreensão, amizade e sobretudo fraternidade nos brindam todos os dias.

É isso que eu e os teus amigos recebemos de ti, e estamos endividados…. Porque nada pedes em troca.

 

Chico Zé                                                                                                                                                                 Arquitecto
13.12.2013

Dez 22

Cabinda | CUC

Campus Universitário de Cabinda, 2015

Dez 22

Memória de Troufa Real

Agora rememoro um barco a gasolina,
fissuras na frescura (a casa está e chamas),
os olhos de savana, por Luanda acima,
a contemplar a ilha ignota em lágrimas

Agora rememoro o murmúrio da praia
um maremoto de mulher, amada
debaixo da palmeira sobre a água
ou no barco do barco, vaga a vaga

Agora, outrora, rememoro e fixo
o momento que passa e que é perene
ao pisar terra liquefeita em sangue

Eu respirava a solidez do ar opaco
Arquidemotrutor indicou-me o desenho:
guitarra portuguesa de compasso e esquadro

 

António Barahona
Poeta e Escritor
26.09.2001

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